Category Archives: leituras para devorar

Come-se, uai!

Por que fiquei tanto tempo sem passar lá no blog da Neide Rigo?

Tenho algumas desculpas. Meu RSS “eclipsou”, junto com o Google Reader. A Neide é anti-social-media, sem contas em Facebook, Twitter ou Instagram (sim, isso existe, em pleno 2014!). Então, no meio de tanta bobagem das inúmeras timelines, o que realmente importa fica pra depois.

O Come-se é – e isso é indiscutível – garantia de textos de primeiríssima qualidade. Quando caio lá, aproveito para compensar todo o tempo perdido. E fico algumas horas numa leitura voraz dos posts diários (sim, isso também ainda existe, em pleno 2014!). É tudo sempre inspirador e há tanto para aprender…

Os relatos de sua recente viagem à Serra da Canastra (que começam aqui) são imperdíveis. Esse vídeo, que roubei de lá, é só um pequeno exemplo das pérolas que a Neide consegue garimpar:

(o vídeo, além de informativo, é bom para matar saudades desse sotaque: “dá uma moiadim no porviiii”)

Dessa vez, a visita ao Come-se valeu mais. Descobri, num cantinho da home, o campo “Receba os textos do Come-se por email”. Uai? Agora tem mais desculpa não, sô!

comese

Parabéns pra você. Nessa data querida.

DIcas que fazem a delícia de SP

Há uma pequena contribuição do QueBicho à Folha de hoje. Em comemoração aos 460 anos da cidade, o caderno Comida elencou  200 dicas “que fazem a delícia de SP”. Abaixo alguns motivos para – apesar dos clichês (calor, trânsito, chuva, preços!!!) – o QueBicho continuar gostando daqui:

• Limão kaffir, galangal, leite de coco e balinhas de gengibre tailandeses na loja Towa, na Liberdade. Para que a melhor casa tailandesas na cidade seja a sua.

• Sashimis do Aizomê. É cenográfico. Cada fatia é cortada em específica espessura, com temperos e guarnições pincelados um a um. E ainda vêm sobre uma linda peça de cerâmica da Kimi Nii.

• Plateau Royal, no Amadeus. O prato enorme, frio, com lagostas, camarões, mariscos e ostras, é para dividir, num programa glutão de uma tarde inteira de sol. Para quem procura o mar inteiro, sem precisar enfrentar a Rio-Santos.

• Lama ao caos, do Maní. A combinação árabe (berinjela, flor de laranjeira, gergelim, pistache) ganha texturas diversas (gelatina, crocante, sorvete). Mas a boca é quem diz: é a sobremesa mais incrível da cidade.

• Jantar no Kidoairaku. A ótima cozinha de Kaku-san e o ambiente “lost in translation” são o remédio perfeito para quando dá saudades do Japão.

Parabéns, São Paulo, sua linda.

É pra ver ou pra comer?

Publicado originalmente no blog Mesa ou Balcão?, da revista ALFA.

Tudo é diferente no livro gastronômico com fotos de Sergio Coimbra e introdução da jornalista Luciana Bianchi lançado no final do ano passado.

Pra começar, o livro não tem nome. Também não tem preço: a tiragem de 1000 exemplares será toda distribuída para chefs de cozinha e personalidades do ramo. O livro vem em dois volumes de 127 páginas que devem ser abertos juntos, para formar duetos ou quartetos de imagens.

Pier Paolo Picchi, Trattoria Picchi, São Paulo
Massimo Bottura, Osteria Francescana, Modena

Imagens de fazer babar, diga-se. Com a luz impecável de Sergio Coimbra, um dos melhores fotógrafos de comida do Brasil, é possível enxergar todas as texturas dos ingredientes. Entre no site (onde as imagens estão em seu esplendor full-HD) e veja a maciez das carnes, a crocância dos vegetais, o aveludado dos molhos…

Nomes de peso como Massimo Bottura (4º melhor do mundo, segundo a lista da revista Restaurant), Heston Blumenthal (5º melhor), Yonishiro Narisawa (do melhor restaurante da Ásia) contribuíram para o projeto. Do Brasil, não poderiam ficar de fora Alex Atala, Rodrigo Oliveira, Pier Paolo Picchi.

“Os chefs convidados tiveram total liberdade para experimentar diante da câmera, como numa sessão de jazz” me explicou Luciana. Às vezes montavam signature-dishes, outras vezes criavam verdadeiras instalações comestíveis. Rodrigo Oliveira (do brasileiríssimo Mocotó) preparou sua deliciosa mocofava. Yonishiro Narisawa (do Les Créations de Narisawa, em Tóquio) montou uma instalação – comestível? – que discutia o desmatamento e a forma como produzimos comida atualmente.

Rodrigo Oliveira, Mocotó, São Paulo
Yoshihiro Narisawa, Les Créations de Narisawa, Tóquio

É interessante ver a justaposição de pratos que existem de verdade (que constam no menu dos restaurantes) com as tais “improvisações jazzísticas”.

O que você enxerga nessas cenas assinadas por Alex Atala? Comida ou arte?

Alex Atala, D.O.M., São Paulo
Alex Atala, D.O.M., São Paulo

São, na verdade, dois signature-dishes do D.O.M.: Lulas cozidas a frio e Ravioli de limão e banana-ouro.

Não há um limite claro entre o que é saboroso, o que é belo, o que é discurso artístico.

Alex Atala, D.O.M., São Paulo

Para os que pensam a alta gastronomia como arte, o livro-sem-nome é um prato cheio.

Leituras para devorar 3/3

Publicado originalmente no blog Mesa ou Balcão?, da revista ALFA.

Quanto mais fresco melhor? Nem sempre. É essa discussão que a revista cult Lucky Peach (McSweeney’s, US$ 12) traz na sua segunda edição, lançada no final do mês passado nos EUA. Com o tema “The Sweet Spot”, a revista trimestral passa longe, porém, dos exemplos clássicos de apodrecimento controlado (aka fermentação). Iogurtes, queijos, vinhos… são assuntos muito caretas para David Chang, editor e chef-punk-hard-core dos premiados restaurantes Momofuku.

O que se investiga é por que uma fatia de Pizza Hut ou pedaços de frango do KFC melhoram tanto depois de dormidas na geladeira (a culpa é das cavalares quantidades de sódio e glutamato). Por que, no Japão, os peixes demoram até uma semana depois de pescados para chegar aos restaurantes (um incrível e demorado método de matar peixes – ikejime – evita que o ácido láctico destrua o sabor e a textura da carne). Por que um ojo de bife cuidadosamente estragado (aka maturado) é muito mais saboroso. Explica o que leva o chef René Redzepi (do NOMA, aka “o melhor restaurante do mundo”) a experimentar com batatas que há muito passaram do ponto de colheita ou com morangos ainda muito verdes.

A artista Celeste Byers também interpreta com desenhos bem doidões os limites entre o vivo e o morto, entre o estragado e o delicioso.

Para aqueles que acham que uma revistinha não faz um presente de Natal, informo que a primeira edição esgotou rápido e está sendo oferecida no eBay por incríveis 45 dólares. O Lucky Peach é um investimento que rendeu 350% em seis meses! Dá pra comprar a edição atual na Amazon ou na livraria DDock, onde vi um único exemplar no fim de semana a R$ 72.

É BOM PRESENTE PARA: food geeks e gente que prefere sempre o queijo mais fedido.

MELHOR TRECHO ALEATÓRIO DA REVISTA: “Favor usar com responsabilidade esses adesivos para frutas”. Isso, porque a revista vem com 45 etiquetas de frutas e legumes para apavorar a quitandinha da esquina.