Leituras para devorar 2/3

Publicado originalmente no blog Mesa ou Balcão?, da revista ALFA.

Você trocaria um branco de Borgonha por uma branquinha de Salinas? Manoel Beato trocou.

No dia 15 chega às livrarias o livro Cachaça (editora Terra Brasil, R$ 120), escrito pelo supersommelier do restaurante Fasano. Felizmente não há notas de degustação, nem ranking de melhores rótulos. Trata-se de um coffee table book e não de um guia de consulta.

Na primeira parte do livro, Beato discorre sobre a história, o processo de produção, os sabores que diferentes tipos de de madeira emprestam à bebida, dá algumas dicas de como degustar. Abre também o foco – como convém a quem bebe uma dose a mais – para a gente, a literatura, os costumes em torno da cachaça.

As frases vão se alongando – como quem bebe duas doses a mais – e chegam a ter seis, sete linhas. Não que isso seja um problema. É bom para criar um clima. E lembrar o longo retrogosto de uma boa cachaça, que durante minutos fica dando voltas lá no fundo da garganta, e no topo da cabeça.

A segunda parte do livro é também uma narrativa, mas visual. Araquém Alcântara (que também é publisher do livro) mostra num lindo ensaio fotográfico alguns aspectos do universo cachaceiro. As imagens são densas, com muito marrom de terra, madeira e pedra. Há alguns pontos luminosos de vegetação, de labaredas escapando do canavial e do alambique. Há também gente, claro. Os retratos têm as expressões marcadas pelo sol agreste.

Com um pouco de imaginação – ou três doses a mais – dá até para ver nessas cores e temas os sabores terrosos, herbáceos, quentes – e muito brasileiros – da cachaça.

É BOM PRESENTE PARA: quem pensa que cachaça é tudo igual. É uma inspiradora introdução ao lado gourmet da bebida.

MELHOR TRECHO ALEATÓRIO DO LIVRO: “Certamente alguns leitores podem se surpreender por me encontrar aqui prefaciando este livro. Afinal, não carrego a fama de cachaceiro que noutros grudam”, o ex-presidente FHC destilando um pouco de maldade, nas primeiras páginas do livro.

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