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Fim de semana é bom para… beber vinhos obscuros (e incríveis)

Publicado originalmente no blog Mesa ou Balcão?, da revista ALFA.

No ICI Bistrô, a então sommelière Daniela Bravin sempre dava um jeito de me dissuadir das minhas próprias escolhas. Ora ela oferecia um rótulo mais curioso, ora uma garrafa que ia melhor com a refeição. Nunca me arrependi. Com seus conselhos, aprendi que posso gostar de um ou outro Carménère, que há vinhos bons em todas as faixas de preço, que há brancos incríveis no Uruguai.

Faz duas semanas que a – agora – restauratrice abriu sua própria casa. O Bravin fica num antigo casarão de Higienópolis. É um restaurante no andar superior, e um wine-bar no andar de baixo. Um wine-bar que já sai disparado como um dos melhores da cidade. A seleção musical é ótima (jazz, com chorinho, com bossa), o espaço tem pequenas mesas com boas poltronas pra se esparramar, e – fator que contou muitos pontos – são servidas as fantásticas águas mineiras Cambuquira (com gás) e Caxambu (sem gás).

Há também ótimos vinhos, claro. A adega conta hoje com 200 rótulos. Cerca de vinte sugestões são escolhidas para formar cartas diferentes todos os dias. É uma forma simpática de não oprimir a gente com aqueles menus pesados, com índice remissivo, impenetráveis. Há sempre opções de vinhos em taça a R$ 19, R$ 21. Para comer, o wine-bar serve tábuas de frios, bolinhos de bacalhau, de arroz, canapé Blumenau…

Num jantar na nova casa, mesmo diante da minha cara de desconfiança, Daniela fez de tudo para que eu trocasse um confiável Rioja por um tinto brasileiro.

Ao menos, dessa vez, ela me deu duas opções: ou o Minimus Anima, do enólogo-e-louco Marco Danielle, ou um desconhecido Éléphant Rouge, de Jean Cara.

O Minimus Anima foi uma revelação. O tinto de Encruzilhada do Sul (RS) é um corte inusitado de Cabernet, Tannat supertardia, Alicante Bouschet e Merlot. Durante a refeição ele evoluiu tão rápido, mudou tantas vezes na taça, que é de deixar qualquer um doidão.

Na empolgação, acabei provando também o preterido Éléphant Rouge. Era um tinto menos heterodoxo (um corte de Cabernet, Merlot e Pinotage), mas igualmente bom, muito bem integrado em seus 12,5º de álcool.

Aconteceu o que deveria acontecer. Saí do jantar com mais um ensinamento, com menos um preconceito: vinho brasileiro pode ser bom, vinho brasileiro pode ser realmente especial. A sommelière terrible está de volta.

Bravin
Rua Mato Grosso, 154
(011) 2659-2525
2ª a 6ª: 19h-1h
Sáb: 15h-1h