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Apple ou iPad Martini?

Publicado originalmente no blog Mesa ou Balcão?, da revista ALFA.

Você prefere seu Dry Martini mexido ou batido? Com gim Beefeater ou Tanqueray? E com quanto de vermute? Se está difícil de responder, é melhor contar com a ajuda da tecnologia. Vai ser bem mais fácil lidar com essas profundas e importantíssimas dúvidas de bar com esses apps aqui.

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O SubAtor acaba de colocar no ar o aplicativo Sub (grátis, para iPhone e iPad), que já rolava em esquema beta-teste no bar abaixo do Astor, na Vila Madalena. Foi uma surpresa encontrar um aplicativo de relacionamento tão bem feito no Brasil. Há um pouco da história do SubAstor, um pouco sobre a origem da mixologia (conceito que inclui a investigação científica na coquetelaria).

A cereja do aplicativo, porém, está mesmo nas receitas de drinques, acompanhadas de vídeos incríveis. A produção é quase hollywoodiana, com efeito especiais a la Matrix (eles podem ser vistos em esplendor HD também no Youtube). As gotas de gim caem da garrafa em câmera lenta, dá pra ver os óleos essencias da casca de limão sobrevoando o drinque, os gelos se mexem com barulho dolby-surround… As receitas acompanham também boas histórias e curiosidades, que deixam os coquetéis ainda mais saborosos.

O receituário se restringe aos drinques preparados no SubAstor. Então, dá pra sentir falta de um ou outro clássico. Em compensação, saudosas criações brasileiras, como o Caju Amigo e o Rabo de Galo, marcam presença no aplicativo. Até o Bombeirinho – quem diria – figura no bar. Um bar de bacana, claro, que substituiu a safada groselha pelo aristocrata grenadine.

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São mais de mil receitas no Top Shelf Drinks (US$ 0,99, para iPhone). Com 21 tipos de margarita, 45 drinques com cerveja e 72 variações de martini (!), dá pra divertir um fígado (ou o que sobrar dele) por bastante tempo. A interface é espartana, mas eficiente. As receitas – anotáveis e editáveis – são descritas de forma bem direta. São quase fichas técnicas que recomendam o copo a ser usado, mas que não trazem qualquer foto para abrir o apetite.

O programa também ajuda a dar um jeito no bar empoeirado de casa. Depois de inventariar as bebidas esquecidas, o programa traça os coquetéis possíveis e lista suas receitas.

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E já que de receitas a gente está bem guarnecido, é bom saber um pouco de técnica.

Para isso, não há nada melhor que o Speakeasy Cocktails (US$ 9,99, para iPad). Ele não é bem um app. Trata-se de um livro interativo, cheio de vídeos e esquemas animados. O conteúdo é pra gente grande, mas apresentado de forma bem didática.

Dá pra entender – não que eu vá fazer isso em casa – por que um bar deve ter gelos de diversos formatos e tamanhos. O livro é tão minucioso que explica por que colocar as bebidas ANTES do gelo na coqueteleira. E – finalmente! – por que raios o Dry Martini deve ser mexido e não batido: “quando se bate uma bebida na coqueteleira, você está incorporando bolhas de ar no drinque, e isso muda a sua textura e aparência. Para manter a transparência e a viscosidade do Dry Martini, o ideal é mexer, com o mínimo de barulho, para incorporar o mínimo de ar na mistura”.

Nos vídeos com as receitas de alguns clássicos, sempre há algo a mais para aprender. Sobre a importância de bons ingredientes, Jim Meehan do PDT (Please Don’t Tell, um speakeasy novaiorquino) é categórico: “seu drinque vai ser tão bom quanto o pior ingrediente que há nele”. Essa é boa de citar pro amigo que traz aquela garrafa vagabunda de vodca pra festa, justificando que é “só para drinques”.